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Nova Friburgo

"Suíça Brasileira"
4 mar

Nova Friburgo

A atual cidade de Nova Friburgo foi berço do primeiro movimento migratório organizado de europeus não-portugueses para o Brasil.

A vinda de imigrantes suíços para a Fazenda do Morro Queimado, distrito de Cantagalo, em 1819, abriu precedente imediato para a vinda de alemães, espanhóis, italianos e outros povos europeus, na segunda metade do século XIX.

Desde o início do povoamento oficial do Brasil apenas por portugueses, Portugal se preocupava com sua maior colônia, temendo invasões, principalmente de espanhóis.

No início do século XIX, entre 1816 e 1817, a Suíça encontra-se em crise industrial e comercial. Era grande o número de famílias que desejavam emigrar para uma nova vida no Novo Mundo coincidindo com a intenção de um grupo de financistas de incentivar sonha a expansão da Suíça também na América do Sul, mais exatamente no Brasil.

No verão de 1817, o diplomata Sebastien-Nicolas Gachet, da cidade de Fribourg, da então Confederação Suíça, chegava à corte de D. João VI no Rio de Janeiro com o propósito de negociar uma leva de emigrantes suíços para o Brasil.

Dom João VI, vendo a possibilidade de uniformizar o sistema de colonização, em 16 de maio de 1818, assinou contrato com Gachet autorizando uma primeira leva experimental de imigração não portuguesa para o Brasil – a imigração suíça – , abrindo as portas para o enorme fluxo migratório de povos europeus responsável por construir a moderna nação brasileira.

Segundo os dispositivos do Decreto Real, a colonização seria oferecida a suíços católicos.

Participaram desta migração habitantes dos Estados da Confederação Suíça de Fribourg, Berna, Valais, Vaud, Neuchâtel, Genebra, Argóvia, Solotthurn, Lucena, Shuwyz entre outros.

A localidade inicial para instalar essa leva de migrantes suíços foi a Fazenda de Santa Cruz, lugar baixo e alagadiço e de clima quente, logo trocado pela Fazenda do Morro Queimado, lugar alto e de clima mais frio, propício para os suíços acostumados com elevadas altitudes e baixas temperaturas.

A Fazenda do Morro Queimado, em Cantagalo, era um terreno montanhoso e pedregoso, regado pelos rios Bengalas e Cônego, que nascem dos rios Canudos e do Queimado e confluem no Rio Grande, que deságua no Rio Paraíba do Sul.

Seu proprietário, Monsenhor Almeida, já tinha construído casas para colonos portugueses, uma capela, criação de gado e plantações onde era produzido milho, feijão, trigo, centeio, batatas e frutas tropicais antes da chegada dos suíços, em clima temperado no verão e frio no inverno. De clima úmido e insalubre, a temperatura oscilava no máximo entre 25 graus no verão e zero grau no inverno.

O tratado estabelecido para a emigração suíça previa as condições para o nascimento de uma cidade. Ao invés das cem famílias com oito pessoas cada, vieram da suíça 1083 adultos e 120 crianças menores de três anos. A eles juntaram-se outros indivíduos de outras nacionalidades, totalizando aí 2003 colonos.

Os colonos suíços e uns poucos alemães partiram no dia 04 de julho de 1819 de localidade de Estavayer-le-Lac com destino aos portos da Holanda. A longa espera dos colonos para embarcar acarretaria a morte de diversos emigrantes por má alimentação e doenças. Finalmente embarcaram em 11 de setembro desse ano em sete navios fretados pelos organizadores da expedição. Todos os navios levaram excesso de passageiros, o que se tornou um grande problemas para os emigrantes.

A dura viagem sepultou na travessia do Oceano Atlântico mais de 200 imigrantes. Aportaram naquele mesmo ano, no Rio de Janeiro, 1682 pessoas, formando ao todo 261 famílias, 161 a mais do que o planejado.

Ao chegarem à Fazenda de Morro Queimado, várias foram as dificuldades enfrentadas pelos colonos: a configuração acidentada das terras, que lhe conferia grande dificuldade para o plantio; o número elevado de pessoas não previstas inicialmente acarretaram deficiência de acomodações e provocaram a anarquia administrativa.

Aos poucos, os colonos foram abandonando a Colônia do Morro Queimado, e outros chegados por último, ao saberem dos problemas, ficaram no Rio de Janeiro. Alguns recém chegados se deslocaram em direção às nascentes do Rio Macaé, formando os povoados de Lumiar, São Pedro da Serra, Boa Esperança, Benfica, etc, e outros saíram da colônia em busca de terras mais férteis, em outras localidades do interior do Brasil.

A 13 de janeiro de 1820, na Colônia do Morro Queimado, por Ato de D. João VI era decretado a fundação da Vila de Nova Friburgo. O nome, de origem suíça, “nova cidade livre” foi uma homenagem à grande maioria dos colonos vindos do cantão suíço de Fribourg.

Em 1824, a vila de Nova Friburgo recebia os colonos vindos da Alemanha, das regiões de Hessen, liderados pelo pastor Friedrich Oswald Sauerbronn. Alguns deles preferiram as terras do leste, hoje os 5° e 7° distritos (Lumiar e São Pedro da Serra). Há os que vieram de outras regiões da Alemanha, como os Blaudt, originários da Baviera.

Nessa época a vila de Nova Friburgo ficou quase deserta. Em conseqüência disso, a sede da nova colônia sofreu retrocesso pela falta de braços para lavoura. Dessa forma, resolveu-se enviar para Nova Friburgo uma nova leva de imigrantes alemães que se achava acampados em Niterói e ainda sem destino determinado. Nesse mesmo ano, cerca de 284 imigrantes germânicos se estabeleceram na vila.

Em 09 de setembro de 1844, houve uma nova divisão administrativa cuja deliberação determinou criação de mais distritos e ao longo do século XX outros foram implantados, chegando a configuração atual:

  1. 1º Distrito: Nova Friburgo, freguesia de São João Batista.
  2. 2º Distrito: Riograndina, freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Paquerer.
  3. 3º Distrito: Campo do Coelho, freguesia da Aparecida
  4. 4º Distrito: Amparo
  5. 5º Distrito: Lumiar
  6. 6º Distrito: Conselheiro Paulino
  7. 7º Distrito: São Pedro da Serra

Em 8 de janeiro de 1890, a vila foi elevada à categoria de cidade e sua população aumentada com a chegada de outros imigrantes como italianos e sírios.

Em 1872 chegaram os trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina, que iria facilitar o escoamento da produção do café da região de Cantagalo.

A presença do trem que cortava a praça principal da cidade tornou-se um atrativo para população e visitantes, que assistiriam à sua desativação no final da década de 1960.

A partir do final do século XX, a cidade tornou-se um polo econômico com a produção de laticínios e geleias e principalmente de lingerie, recebendo um grande fluxo de consumidores para a profusão de lojas.

Texto: Elson Amenola Machado

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