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Vila Rica de Ouro Preto

Ouro Preto - MG
13 abr

Vila Rica de Ouro Preto

Identificado o local da mineração, levas de homens de todas as raças e todos os credos para lá migraram.

Em pouquíssimo tempo, entre 1698 e 1711, ano da fundação oficial das Vilas, diversos arraiais nasceram e desapareceram, alguns sem deixar vestígios ou notícias de sua existência.

Poucos casebres, uma capela com seu portátil altar original, como aquele do Padre Faria, em 1699, ao fundar a modesta ermida de São João, coberta de palha, um posto de abastecimento, um córrego para o ouro de lavagem e estava implantado um arraial.

Junto aos ribeirões se assentavam, no fundo dos vales, desconfiado dos vizinhos, ávidos de cobiça.  Nenhum cuidado, nenhum traçado, nenhuma agricultura, apenas a esperança de abarrotar os bornais do precioso metal.

Desta forma surgiam núcleos móveis, abandonados à medida que se esgotava o ouro de lavagem; seguiam rio acima, implantando-se junto das catas recém descobertas.  Dependendo da potencialidade dos veios, ali se estabeleciam, sementes de futuros núcleos, gênese da futura cidade.

A futura Vila Rica de Albuquerque, portanto, surgira como uma sucessão de arraiais dispostos nos vales, às margens dos córregos e ribeirões, onde bateias ávidas revolviam suas outrora límpidas águas, então manchadas de barro e de sangue.

Seguiram-se crimes bárbaros, traições oriundas da cobiça desenfreada, segredos invioláveis que não permitem, até tempos mais recentes, um claro e preciso registro da dura e cruel realidade das primeiras décadas do século XVIII.  Sobraram apenas lendas que a tradição popular povoa de fantasmas que ainda penam pelos becos e vielas enevoados, cobrando antiga dívidas, revelando antigos mistérios, guiando para minas nunca reveladas.

Com a diminuição do ouro de lavagem, incrementavam-se as minas ou grupiaras, determinando o momento da fixação daqueles arraiais móveis no fundo dos vales, junto às bocas das minas, com edificações mais duradouras, com a capela já inserida em um polígono irregular de baixos muros de pedra seca, associando ao caráter religioso uma feição militar, defensiva, um misto de igreja-fortim, sede do núcleo, como pode ser observado na Capela do Padre Faria ou nas modestas edificações no Morro da Queimada.

Este desenvolvimento espontâneo gerava um traçado irregular, fortalecido pelas características topográficas da região. Em Ouro Preto a ocupação acontecia de forma longilínea, subindo e descendo morros.  Em São José del Rey, núcleo de pouca extensão, as vias principais dispunham-se em tabuleiros, acompanhando as curvas de nível.

Seria praticamente impossível, a não ser em poucas quadras, como em Mariana, a implantação do tabuleiro de xadrez recomendado pelas Leis das Índias.

Este cenário fantástico, envolto pela névoa, constituía perfeito pano de fundo para as lendas, assombrações e conspirações.

“Os dias nunca amanhecem serenos: o ar é um nublado perpétuo: tudo é frio naquele país, menos o vício, que está ardendo sempre. (…)a terra parece que evapora tumultos: a água exala motins: o ouro toca desaforos: destilam liberdades os ares: vomitam insolência as nuvens: influem desordens os astros: o clima é tumba da paz e berço da rebelião: a natureza anda inquieta consigo, e amotinada lá por dentro, é como no inferno.” dizia o Conde de Assumar após a Insurreição de Vila Rica, em 1720, onde iniciava-se uma reação contra o processo de sobretaxas e impostos crescentes sobre a população de mineradores.

Outras rebeliões viriam, inconfidências, traições, tentativas de aviso por figuras fantásticas, por vezes tarde demais, como na Inconfidência Mineira, impedindo o movimento que pretendia libertar o Brasil de Portugal, contando com vários participantes, poucos idealistas, alguns traidores.

As pequenas vilas no sertão das Gerais prosperavam e tornavam-se cidades, algumas vezes tão populosas como importantes núcleos europeus. Chegavam novos governadores, ouvidores, advogados, poetas, artistas, muitos deles atraídos pela possibilidade da fortuna fácil, outros pela possibilidade do exercício tirânico do poder.

 

“Ah pobre Chile! que desgraça esperas!

Quanto melhor te fora, se sentisses

As pragas, que no Egito se choraram,

Do que veres, que sobe ao teu Governo

Carrancudo Casquilho, a quem rodeiam

Os néscios, os marotos, e os peraltas”

As Cartas Chilenas de Tarquino J.B. de Oliveira

 

A capital da Colônia deixava Salvador em 1763 e mudava-se para o Rio de Janeiro, porto importante, de acesso mais fácil e mais seguro tanto para quem seguia com as “novidades” da Europa para o sertão, como para quem descia a serra com os alforjes cheios de riqueza.

 

Ergue o corpo, os ares rompe,

Procura o Porto da Estrela,

Sobe a serra, e se cansares,

Descansa num tronco dela.

Toma de Minas a estrada,

Na Igreja nova, que fica

Ao direito lado, e segue

Sempre firme a Vila Rica.”

Marília de Dirceu de Tomás Antônio Gonzaga.

Texto William Seba Mallmann Bittar

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Ouro Preto e Mariana - Cidades Históricas
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