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Igreja Matriz de Santo Antônio

Tiradentes - MG
9 abr

Igreja Matriz de Santo Antônio

A história da Matriz de Santo Antônio confunde-se com os primórdios da criação do Arraial Velho do Rio das Mortes. Existiu inicialmente uma pequena capela dedicada a Santo Antônio que veio a se tornar a primeira freguesia da Comarca do Rio das Mortes.

A Paróquia parece ter sido fundada oficialmente em 1710, quando se criou a Irmandade do Santíssimo Sacramento. As primeiras obras de construção da nova igreja, cuja tradição indica o ano de 1710, não são documentadas pela perda irremediável do 1º Livro de Receitas e Despesas da Irmandade do Santíssimo Sacramento que registrava o período de 1710-1736. Sabe-se, entretanto, que em 1732 a igreja encontrava-se praticamente concluída, faltando apenas os assoalhos e forros, conforme consta na petição de ajuda enviada à coroa portuguesa.

Em 1736/37 a documentação indica uma ampliação na igreja, que parece tratar-se de um aumento da extensão longitudinal da nave, surgindo nesta época diversos pagamentos a profissionais como João de Faria, João da Ponte e Nicolau de Souza. As obras se prosseguiram ao longo do século XVIII, e incluíram os consistórios e sacristias que circundam a nave e capela-mor. ainda em fins daquele século, verificaram-se obras de remodelação da fachada ou reparos e só em 1807/10 a Irmandade do Santíssimo Sacramento decide demolir a frontaria e reconstruir outra ao gosto rococó, tendo para tal encomendado o projeto ao Aleijadinho.

A obra foi executada sob a direção do mestre-pedreiro Cláudio Pereira Viana, tendo o mesmo concluído o adro com escadaria em três patamares, por volta de 1813. A última obra realizada seja talvez a colocação das duas cancelas de ferro batido, por volta de 1840. O monumento passou por ampla restauração em 1893, quando se vendeu algumas alfaias de prata para custear as obras, tendo sofrido nova intervenção em 1946, empreendida pelo IPHAN e em 1960 com restauração do forro da nave e outros serviços de conservação. Outras intervenções foram ainda realizadas em 1973, 1980 e 1982.

A Matriz de Santo Antônio é, certamente, uma das obras-primas da arquitetura barroca em Minas Gerais, especialmente pela sua extraordinária decoração interior. Situada em sítio elevado da cidade, apresenta planta em grande retângulo, com a divisão da nave, capela-mor e sacristia. O adro é acessível por escadaria com ricas balaustradas de cantaria de pedra-sabão em três planos. Possui frontispício largo, destacando-se a portada, de autoria do Aleijadinho, guarnecida de talha em pedra que se prolonga até o óculo circular envidraçado. As duas janelas laterais ao nível do coro têm peitoris fechados, com balaustradas barrocas e cercaduras em pedra-sabão com cimalhas movimentadas e ornamentadas. Os cunhais e pilastras são em cantaria terminando em cornija superior arqueada, com óculo no centro. Dos lados do frontão, encontram-se duas torres de cantos chanfrados com sineira e relógio. O frontão é em curvas barrocas e ornatos, arrematado por cruz. Quanto à decoração interna, os dois retábulos de Nossa Senhora da Conceição e São Miguel e Almas são os mais antigos da igreja. O primeiro serviu de altar do Santíssimo quando o altar-mor estava em obras em 1727 e o segundo, tem uma inscrição que revela ter sido dourado em 1732. As talhas são ainda de gosto nacional português, com intervenções nos estilos D João V e rococó. A decoração das ilhargas da capela-mor, arco cruzeiro (ambos de 1750), tarja e, por analogia, o retábulo do altar-mor (1736) são de autoria do entalhador, provavelmente português, João Ferreira Sampaio.

Trata-se de esplendoroso conjunto homogêneo de talha, no melhor do estilo D. João V, comparável às igrejas de Santa Clara e São Francisco do Porto. Do mesmo período, cerca de 1740, data a obra monumental do coro, com suas colunas em estípite e vigorosas guirlandas douradas, tendo nele trabalhado Pedro Monteiro de Souza. Os forros da capela-mor e da nave podem ser atribuídos a Antônio Caldas que ajustou a obra de douramento e pintura da igreja em 1750/52. O primeiro, em forma de abóbada e de arestas invertidas, é pintado a ouro e têmpera castanha, em grotescos, e o da nave é ainda em arcaicos caixotões com cercaduras em grotescos dourados, centrando símbolos eucarísticos, cenas e símbolos do antigo testamento. Os dois grandes painéis ovais da capela-mor, juntamente com o painel que fechava o camarim foram pintados, entre 1736/37, por um pintor de nome João Batista, revelando qualidade inferior à talha. Os retábulos medianos da nave, pertencentes à Irmandade do Bom Jesus do Descendimento (1734) e Bom Jesus dos Passos (1730), são obras de Pedro Monteiro de Souza, em estilo D. João V ainda pouco evoluído. Os retábulos de Nossa Senhora do Terço e Nossa Senhora da Piedade foram executados entre 1735-1745, apresentando estilo semelhante aos anteriores, mas certamente de autoria diferente. O assoalho em campas, em óleo bálsamo, foi feito em 1774 por Manoel José de Oliveira, mantendo-se ainda conforme o original, exceção da parte sob o coro. Desta época também é a bela balaustrada entalhada em jacarandá, ao gosto rococó, atribuída ao artista Salvador de Oliveira.

Citam-se ainda as duas belas sacristias, ambas decoradas ao gosto rococó, a partir de 1780, pelos entalhadores Salvador de Oliveira e Romão Dias Pereira Cardoso, apresentando forro e painéis pintados por Manoel Victor de Jesus (1755/1828), pintor mulato atuante na região. Ainda são decorados com pinturas do mesmo artista, os consistórios dos Passos, do Santíssimo Sacramento e do Descendimento.

Cabe ainda mencionar, o órgão confeccionado na cidade do Porto (Portugal) e instalado em 1788 e o relógio da torre, instalado no mesmo ano, e encomendado também nos subúrbios do Valongo, da mesma cidade, ainda em funcionamento. É também digno de registro o relógio de sol em pedra-sabão, feito em 1785 por Leandro Gonçalves Chaves, hoje um dos ícones mais famosos da cidade. Complementa a decoração da igreja o conjunto de 7 lâmpadas de prata, feitas no Rio de Janeiro por volta de 1740, os castiçais do altar-mor ao gosto rococó também feitos no Rio por volta de 1770, além da rica coleção de objetos litúrgicos em prata do Rei de Lisboa, hoje em cofre-forte.

Texto extraído de: Inventário Nacional de Bens Móveis e Integrados. VITAE/IPHAN. CARRAZZONI, Maria Elisa. Guia dos Bens Tombados. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura. 1980.

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