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Tiradentes e o Ciclo do Ouro

Tiradentes - MG
3 abr

Tiradentes e o Ciclo do Ouro

Com a expulsão dos holandeses do Nordeste, na segunda metade do século XVII, iniciava-se a crise na produção canavieira, principalmente quanto aos preços do açúcar no mercado externo, ditados pela Companhia das Índias, agora detentora não apenas do refino e distribuição, mas também de grande parte da produção em suas possessões tropicais, como na América Central.

Mais uma vez ficava a metrópole sem o esteio de sua economia agroindustrial, como já ocorrera com a extração do Pau-Brasil, na primeira metade do século XVI.

Procurando soluções a curto prazo, incrementaram-se os incentivos às entradas e bandeiras, que além de expandir e consolidar limites territoriais, investigavam a possibilidade da existência de ouro e pedras preciosas nos sertões quase desconhecidos que se espraiavam para além da serra.

                Expedições se sucediam partindo de Salvador, do Rio de Janeiro ou de cidades paulistas como Taubaté e Guartinguetá, adentrando o continente e fundavam vilas ou arraiais, capturavam índios ou mesmo descobriam vestígios da riqueza que se avizinhava, mas, segundo Antonil, só ao final do século XVII “e o primeiro descobridor dizem que foi um mulato que tinha estado nas minas de Paranaguá e Curitiba.  Este, indo ao sertão com uns paulistas a buscar índios, e chegando ao cerro Tripuí desceu abaixo com uma gamela para tirar água do ribeiro que hoje chamam do Ouro Preto, e, metendo a gamela na ribanceira, para tomar água, e roçando-a pela margem do rio, viu depois que nela havia granitos da cor do aço, sem saber o que eram(…)até que se resolveram a mandar alguns dos granitos ao governador do Rio de Janeiro Artur de Sá; e, fazendo-se exame deles, se achou que era ouro finíssimo.” – André João Antonil.

Estava descoberto o ouro nos sertões das Gerais, inicialmente nos arredores de Ouro Preto, à sombra do pico do Itacolomi, seguido pela exploração junto ao ribeirão do Carmo, onde iria ser fundada Mariana.

Ainda segundo Antonil, “também há uma paragem no caminho para as ditas minas gerais, onze ou doze dias distante das primeiras, andando bem até as três horas da tarde, a qual paragem chamam a do rio das Mortes, por morrerem nela uns homens que o passaram nadando, e outros que se mataram, às pelouradas, brigando entre si sobre a repartição dos índios gentios que traziam do sertão”.

De todos os pontos da Colônia, da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e principalmente de São Paulo exploradores, ávidos da riqueza, migravam para o sertão. Do Reino, portugueses apertavam-se nos navios em direção ao Brasil, gerando leis sucessivas para impedir essa saída em massa – quase a metade da população -, que ocupavam as margens dos rios, criando arraiais como mágica.

Bastavam vestígios de ouro de lavagem e um punhado de garimpeiros que se improvisavam casas de venda e erguia-se um tosco cruzeiro e uma diminuta capela coberta de palha.

Duravam o tempo da extração e logo eram abandonados, surgindo ali, mais adiante, rio acima.  Ali, outro mais.  E mais um…

Acabava o ouro de lavagem, mas surgiam as minas ou grupiaras, determinando o momento da fixação daqueles arraiais móveis no fundo dos vales, junto às bocas das minas, com edificações mais duradouras, com a capela já inserida em um polígono irregular de baixos muros de pedra seca, associando ao caráter religioso uma feição militar, defensiva, um misto de igreja-associação-fortim, sede do núcleo.

Novos povoados em crescimento, por vezes fundiam-se em uma vila maior, determinando a necessidade da fundação oficial por parte da coroa, o que aconteceu a partir de 1711.

Este desenvolvimento espontâneo gerava um traçado irregular, fortalecido pelas características topográficas da região. Em Ouro Preto a ocupação acontecia de forma longilínea, subindo e descendo morros.  Em Tiradentes, núcleo de pouca extensão, as vias principais dispunham-se em tabuleiros, acompanhando as curvas de nível.

Seria praticamente impossível, a não ser em poucas quadras, como em Mariana, a implantação do tabuleiro de xadrez recomendado pelas Leis das Índias.

Lotes estreitos e profundos, ruas sem arborização, sinuosas, acidentadas, entrecortadas por becos e vielas que, envoltos pela névoa, constituíam o cenário perfeito para as lendas, assombrações e conspirações.

“os dias nunca amanhecem serenos: o ar é um nublado perpétuo: tudo é frio naquele país, menos o vício, que está ardendo sempre. (…)a terra parece que evapora tumultos: a água exala motins: o ouro toca desaforos: destilam liberdades os ares: vomitam insolência as nuvens: influem desordens os astros: o clima é tumba da paz e berço da rebelião: a natureza anda inquieta consigo, e amotinada lá por dentro, é como no inferno.”

Conde de Assumar

 Que após a Insurreição de Vila Rica, onde iniciava-se uma reação contra o processo de sobretaxas e impostos crescentes sobre a população de mineradores.

Outras rebeliões viriam, inconfidências, traições, tentativas de aviso

                                               “…Passou por aquela ponte?

                                               Entrou naquele sobrado?

                                               Vinha de perto ou de longe?

                                               Era o Embuçado.

                                               (…)

                                               Subiu por aquele morro?

                                               Entrou naquele valado?

                                               Desapareceu na fonte?

                                               Era o Embuçado.”

Cecilia Meireles – Romanceiro da Inconfidência

por vezes tarde demais, como na Inconfidência Mineira, impedindo o movimento que pretendia libertar o Brasil de Portugal, de vários participantes, poucos idealistas, muitos traidores.

As pequenas vilas no sertão das Gerais prosperavam e tornavam-se cidades, algumas vezes tão populosas como importantes núcleos europeus.  Chegavam novos governadores, ouvidores, advogados, poetas, artistas, muitos atraídos pela possibilidade da fortuna fácil, outros pela possibilidade do exercício tirânico do poder.

                               “Ah pobre Chile! que desgraça esperas!

                               Quanto melhor te fora, se sentisses

                               As pragas, que no Egito se choraram,

                               Do que veres, que sobe ao teu Governo

                               Carrancudo Casquilho, a quem rodeam

                               Os néscios, os marotos, e os peraltas”

Tarquínio J.B. de OLIVEIRA. As Cartas Chilenas

A capital da Colônia deixava Salvador em 1763 e mudava-se para o Rio de Janeiro, porto importante, de acesso mais fácil e mais seguro tanto para quem seguia com as “novidades” da Europa para o sertão, como para quem descia a serra com os alforjes cheios de riqueza.

 “Ergue o corpo, os ares rompe,

Procura o Porto da Estrela,

Sobe a serra, e se cansares,

Descansa num tronco dela.

Toma de Minas a estrada,

Na Igreja nova, que fica

Ao direito lado, e segue

Sempre firme a Vila Rica.”

Tomás Antonio GONZAGA. Marília de Dirceu

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A mais bela Cidade Histórica de Minas Gerais.
4 dias

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