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Tripeiros e Alfacinhas

Uma questão de Identidade
17 jun

Tripeiros e Alfacinhas

por Ricardo Andrade

Quem já visitou Portugal e passou pelo Porto ou por Lisboa sabe que uma das primeiras informações que lhe dão é que os Portuenses não gostam muito dos Lisboetas e vice-versa. É praticamente impossível explicar este sentimento, se o podemos chamar como tal, por palavras. É algo quase visceral que nasce com Lisboetas e Portuenses.

Cidade do Porto, as margens do Rio D’Ouro.

Há séculos que Porto e Lisboa não se “toleram” e não acredito que isso alguma vez vá mudar. Já diziam os antigos, em forma de protesto, que no Porto trabalha-se e em Lisboa descansa-se e gasta-se e esta concessão continua enraizada nos portugueses há mais de 500 anos.

Lisboa, vista do Castelo de São Jorge, ao fundo o Rio Tejo.

Contudo os locais das duas cidades tem apelidos muito característicos e bem diferentes pode-se até dizer que mostram a força e modo de estar de cada um. Há muito que os habitantes de Lisboa são chamados de alfacinhas e os do Porto de tripeiros. Porque razão surgiram estes nomes? Há algum acontecimento que o explique?

 Comecemos pelos alfacinhas, mesmo que os tripeiros olhem de esguelha para Lisboa,  é sempre bom agradar à capital do “Reino”.

O termo alfacinha não é tão consensual, como o tripeiro, contudo, há várias fontes que dão alguma explicação sobre o mesmo. Há fontes que mencionam que foram os muçulmanos que introduziram este produto hortícola em Lisboa durante a ocupação muçulmana. O termo em árabe seria Al-Hassa e transformou-se na palavra que hoje utilizamos (muitas palavras portuguesas começadas por al- tem a sua origem nas palavras árabes).

Alguns historiadores defendem que a alface era um dos alimentos mais produzidos na região lisboeta e durante o cerco de Lisboa liderado por D. Afonso Henriques em 1147, este foi o único alimento consumido pelos Lisboetas.

Alfacinhas de Lisboa – Portugal.

As vendedoras de hortícolas quando queriam vender os seus produtos utilizavam vários pregões, sendo um deles “Olha a alfacinha”.

Ao longo dos séculos o termo foi ficando no vocabulário português e sempre que alguém queria falar sobre os Lisboetas referia-os como alfacinhas, termo que ainda hoje usamos.

Quanto ao termo tripeiros, os habitantes da cidade nortenha usam-no desde a guerra com Castela (1383-1385) porém é com a conquista de Ceuta que este termo se vai enraizar nos habitantes do Porto.

Decorria o ano de 1415 e trabalhava-se com afinco nas margens do Rio Douro construindo naus e barcos que seguiriam para a conquista de Ceuta.

A empreitada da conquista estava sob a alçada do Infante D. Henrique que aparecendo na cidade para supervisionar o avanço dos trabalhos pede aos habitantes empenho e sacrifício mencionando a guerra com Castela, 30 anos antes. Os portuenses com espírito de abnegação e patriotismo afirmam que farão o mesmo que no passado oferecendo toda a sua carne para abastecer os barcos e ficando apenas com as tripas.

O Infante comovido com este novo sacrifício afirma que o nome “tripeiros” era uma honra para o heroico povo do Porto. Graças a esse sacrifício a frota do Infante pôde partir à conquista de Ceuta chegando ao território africano em Agosto de 1415.

Azulejaria da Estação de São Bento, retratado um fato histórico na cidade do Porto.

Os termos tripeiros e alfacinhas são assim uma identidade dos locais, que se reveem nestes apelidos e que tudo fazem para os manter vivos mostrando todo o seu amor à cidade que os viu nascer.

Que tal, você gostou das informações que trouxemos sobre os Tripeiros e Alfacinhas? Deixe seu comentário!

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